sexta-feira, 6 de março de 2026

Lições de Química

 

Elizabeth Zott não é uma mulher comum. Aliás, Elizabeth Zott seria a primeira a dizer que a mulher comum não existe. Mas estamos no início dos anos sessenta e a sua equipa de trabalho no Instituto de Pesquisa Hastings é exclusivamente masculina. Elizabeth pode ter sido uma das melhores alunas do curso de Química (foi), mas todos os colegas esperam que seja ela a ir buscar cafés ou fazer fotocópias (não será). Há, porém uma exceção: Calvin Evans, um jovem brilhante que se apaixona por ela. Entre eles, a química é a sério.

Mas tal como na ciência, a vida nem sempre segue uma linha reta. Anos mais tarde, Elizabeth é mãe solteira e a estrela relutante do programa de culinária mais amado da América, o Jantar às Seis. A sua abordagem à cozinha é extravagante ("combine uma colher de sopa de ácido acético com uma pitada de cloreto de sódio") e revolucionária (mais do que apresentar receitas, ela está a incentivar um número crescente de mulheres a desafiar o mundo). A sua popularidade irrita muita gente.

Longe dos holofotes, Elizabeth também usa a ciência para alimentar o corpo irrequieto e a mente subversiva da filha de quatro anos, Madeline, bem como o espírito crítico de Seis e Meia, o cão. Mas o seu destino parece eternamente adiado. Conseguirá ela cumprir o que em tempos um grande amor profetizou num sussurro?

Elizabeth Zott, ainda vais mudar o mundo.


Confesso que li este livro porque vi um trailer do filme adaptado em 2023 com o nome "Uma Questão de Química" e amei uma das partes apresentadas. Como defendo, um livro é sempre melhor do que um filme, optei por ler o livro em vez de ver o filme. A cena que me incentivou não existe no livro, mas não precisa, pois não se perde nada.

A narrativa não segue sempre uma ordem cronológica e tem pelo meio factos do passado de alguns dos personagens narrados como se estivessem a acontecer naquele preciso momento da narrativa. E estão de tal maneira bem "encaixados" na linha temporal que não nos perdemos na ordem da ação.

A personagem de Elizabeth estala como uma chicotada na mente dos anos sessenta, quando apenas se via a mulher como doméstica bem comportada e submissa. Elizabeth, mau grado os caminhos da vida e os rótulos que lhe põem por ser mãe solteira, é bem comportada mas não é nem doméstica e nem submissa. E luta pelos seus direitos da forma que pode, aproveitando oportunidades que nem sempre são as que desejava ou esperava.

Uma história interessante apresentada com uma narrativa muito fluída e os diálogos muito bem conseguidos fazem deste livro um "Recomendo"!


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