Nas minhas escritas, sempre tive algumas dificuldades em definir os títulos
e esta publicação não foi exceção. Pensei em “poço sem fundo” e “buraco negro”,
uma vez que pretendia referir-me a algo que não tem fim (pelo menos
aparentemente), mas depois de preparado o texto e analisado mais a fundo achei
que este é o certo. Um abismo, eventualmente, também pode não ter um fundo e
ainda nos puxa...
Confesso que de início, foi movida pela curiosidade sobre os efeitos
especiais e guiada pelo sentido da visão que comecei a assistir c-dramas. Os pormenores
dos figurinos, as entradas em cena, e toda uma linguagem corporal que constroem
as personagens de uma forma tal que uma imagem pode revelar mais, ou quase
tanto, quanto um texto escrito.
Pensei (erradamente, percebo agora) que via um e ficava por ali. Não é fácil
ficar por ali. Assistimos um, e por ser tão além da nossa realidade, há um
deslumbramento e um desejo de voltar a ver outros, para repetirmos a emoção
inicial e conhecer mais daquele mundo completamente diferente do nosso.
Acontece que há milhares de c-dramas disponíveis e quando procuras um, surge
outro e mais outro, e quando te dás conta, estás metida num buraco negro, do
qual muito dificilmente queres sair, porque afinal, até gostas de assistir.
Os c-dramas existem há décadas, mas foi sobretudo na última década que
começaram a alcançar fora da China, o impacto internacional que têm hoje. Surgiram
produções com uma qualidade visual extraordinária, estabelecendo novos padrões
de fotografia, guarda-roupa, direção artística e produção.
Os figurinos deixaram de ser apenas roupa de época; tornaram-se uma forma
de contar a história. A cor, o tecido, os bordados e até o penteado ajudam a
revelar o estatuto, a personalidade ou a evolução de cada personagem. O
vestuário das personagens passa a transmitir presença, autoridade e mistério
antes mesmo de elas falarem.
Em muitos c-dramas históricos o herói costuma ser muito contido. Em vez de
demonstrar constantemente as emoções, mantém a compostura. A honra, a lealdade,
o dever e a inteligência são frequentemente mais importantes do que a força
física. E isso fá-los parecer enigmáticos e elegantes.
E mesmo quando a história é completamente fictícia, há inúmeros elementos
inspirados na cultura chinesa, que nos cativam:
- caligrafia;
- cerimónia do
chá;
- medicina
tradicional;
- música clássica
chinesa;
- filosofia
confucionista, taoista e budista;
- etiqueta social.
Para um espectador ocidental, tudo isto cria uma sensação de descoberta e pode
deslumbrar-nos precisamente porque é diferente do nosso habitual.
Apesar de a parte visual ser, na maior parte dos casos, maravilhosa e eu valorizar
bastante a estética porque ajuda a construir cada personagem, é a narrativa, a
parte dos c-dramas que eu mais aprecio. São as intrigas, as motivações das
personagens e a coerência do enredo que me movem a assistir, a par de figurinos
que falem e personagens elegantes, não apenas belas. Há dramas que são
excelentes de assistir, e têm fãs em todo o mundo, mas dificilmente me
convencem quando o assunto principal é a fantasia ou o bendito do romance de
amor. Não tenho nada contra o amor ou uma bela história de amor, mas não me agrada
se for apenas isso que dá forma ao c-drama. Não é isso que procuro num c-drama e
felizmente encontro o que gosto com bastante facilidade. Basta procurar.
Concluo, dizendo que ainda não ficarei por aqui, depois de dois romances
lidos e a caminho da conclusão do terceiro, e depois de quatro c-dramas
assistidos e um na calha. Afinal, parece-me que ainda tenho muito para
descobrir, e já percebi que os c-dramas são muito mais do que imaginava.
(artigo elaborado com o apoio do ChatGPT (OpenAI))
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