quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Atração pelo abismo

 

(pinterest)

Nas minhas escritas, sempre tive algumas dificuldades em definir os títulos e esta publicação não foi exceção. Pensei em “poço sem fundo” e “buraco negro”, uma vez que pretendia referir-me a algo que não tem fim (pelo menos aparentemente), mas depois de preparado o texto e analisado mais a fundo achei que este é o certo. Um abismo, eventualmente, também pode não ter um fundo e ainda nos puxa...

Confesso que de início, foi movida pela curiosidade sobre os efeitos especiais e guiada pelo sentido da visão que comecei a assistir c-dramas. Os pormenores dos figurinos, as entradas em cena, e toda uma linguagem corporal que constroem as personagens de uma forma tal que uma imagem pode revelar mais, ou quase tanto, quanto um texto escrito.

Pensei (erradamente, percebo agora) que via um e ficava por ali. Não é fácil ficar por ali. Assistimos um, e por ser tão além da nossa realidade, há um deslumbramento e um desejo de voltar a ver outros, para repetirmos a emoção inicial e conhecer mais daquele mundo completamente diferente do nosso. Acontece que há milhares de c-dramas disponíveis e quando procuras um, surge outro e mais outro, e quando te dás conta, estás metida num buraco negro, do qual muito dificilmente queres sair, porque afinal, até gostas de assistir.

Os c-dramas existem há décadas, mas foi sobretudo na última década que começaram a alcançar fora da China, o impacto internacional que têm hoje. Surgiram produções com uma qualidade visual extraordinária, estabelecendo novos padrões de fotografia, guarda-roupa, direção artística e produção.

Os figurinos deixaram de ser apenas roupa de época; tornaram-se uma forma de contar a história. A cor, o tecido, os bordados e até o penteado ajudam a revelar o estatuto, a personalidade ou a evolução de cada personagem. O vestuário das personagens passa a transmitir presença, autoridade e mistério antes mesmo de elas falarem.

Em muitos c-dramas históricos o herói costuma ser muito contido. Em vez de demonstrar constantemente as emoções, mantém a compostura. A honra, a lealdade, o dever e a inteligência são frequentemente mais importantes do que a força física. E isso fá-los parecer enigmáticos e elegantes.

E mesmo quando a história é completamente fictícia, há inúmeros elementos inspirados na cultura chinesa, que nos cativam:

  • caligrafia;
  • cerimónia do chá;
  • medicina tradicional;
  • música clássica chinesa;
  • filosofia confucionista, taoista e budista;
  • etiqueta social.

Para um espectador ocidental, tudo isto cria uma sensação de descoberta e pode deslumbrar-nos precisamente porque é diferente do nosso habitual.

Apesar de a parte visual ser, na maior parte dos casos, maravilhosa e eu valorizar bastante a estética porque ajuda a construir cada personagem, é a narrativa, a parte dos c-dramas que eu mais aprecio. São as intrigas, as motivações das personagens e a coerência do enredo que me movem a assistir, a par de figurinos que falem e personagens elegantes, não apenas belas. Há dramas que são excelentes de assistir, e têm fãs em todo o mundo, mas dificilmente me convencem quando o assunto principal é a fantasia ou o bendito do romance de amor. Não tenho nada contra o amor ou uma bela história de amor, mas não me agrada se for apenas isso que dá forma ao c-drama.  Não é isso que procuro num c-drama e felizmente encontro o que gosto com bastante facilidade. Basta procurar.

Concluo, dizendo que ainda não ficarei por aqui, depois de dois romances lidos e a caminho da conclusão do terceiro, e depois de quatro c-dramas assistidos e um na calha. Afinal, parece-me que ainda tenho muito para descobrir, e já percebi que os c-dramas são muito mais do que imaginava.

(artigo elaborado com o apoio do ChatGPT (OpenAI))

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