Este é o terceiro romance de autores chineses que leio e estou a gostar da coisa. Provavelmente não ficarei por aqui. Gosto de ler sobre intrigas politicas, investigações e assuntos familiares, de uma época e sociedade diferentes, e estes romances têm um pouco de tudo e muito bem descrito. Dos que já li, no entanto, este na minha opinião, peca por excesso de romance de amor. Digamos que 50% da narrativa são conversas sobre intrigas e conspirações e os outros 50% são sobre o romance entre os dois protagonistas. O principal é a história de amor e as outras coisas servem apenas como pano de fundo. Tenho a certeza que é por isso que o publico feminino internacional gosta tanto do c-drama Pursuit of Jade, pois tem umas cenas sobremaneira interessantes entre os dois (e ainda assim ficam muito aquém das cenas conforme descritas no romance). Não vou criticar essas cenas, até porque não sendo grande fã de romances de amor não tenho autoridade para tal.
Trata-se de um romance com cerca de 180 capítulos, alguns com subcapítulos
como já é hábito nestes romances, o que o torna longuíssimo e que apesar de
tanto enredo e confusão poderia ter sido resolvido com menos caracteres. Tem
mais de 860 000 caracteres chineses, só por curiosidade.
As conversas "de bastidores" sobre intrigas e traições repetem-se
com perspetivas diferentes e com personagens diferentes numas e noutras e é
isso, também, que o torna tão (des)necessariamente longo. Mas, são gostos, ou
métodos de escrita, não vou criticar mais, e até se lê bem. Apenas nos atrasa a
conclusão.
Gostei imenso da personagem principal, Fan Changyu, habituada
a lidar com a sua vida sozinha e a lutar pela sobrevivência num mundo de
homens. Com a morte dos pais viu-se obrigada a sobreviver e cuidar da irmã de
cinco anos, tornando-se "açougueira". Uma personagem que nunca se
deixou abater pelas circunstâncias, e que fez de tudo para se manter sã e
conseguir descobrir o que aconteceu aos seus pais no passado e o que os levou à
morte. O seu relacionamento com Xie Zheng é complexo e atribulado, não por
falta de amor da parte dela nem da parte dele, mas porque o rapaz era um pouco
complexo e impulsivo nas decisões que tomava.
Xie Zheng era um dos três homens mais poderosos do reino, sendo os outros o
Imperador, que, no entanto, era um fantoche nas mãos de Wei Yan o Chanceler do
Reino, tio de Xie Zheng. Quando Xie Zheng quis saber a verdade sobre uma
batalha de há dezassete anos, foi considerado perigoso pelo tio que o tentou
matar. Numa luta de vida e morte, enquanto se recuperava dos ferimentos para
poder continuar a sua busca pela verdade, conheceu Fan Changyu e, sem querer, a
sua vida mudou.
Um homem poderoso, frio, implacável e até cruel, a quem bastava um olhar
penetrante para que os inimigos se encolhessem de medo e os subordinados lhe
obedecessem sem questionar (à exceção do amigo e conselheiro Gongsun Yin que,
ainda que discretamente, por vezes, lhe fazia frente), apaixonou-se e o seu
mundo (sentimental) ficou de cabeça para baixo.
Amava Fan Changyu de forma possessiva e quase incontrolável. Exigia, sem a
deixar quase respirar ou lhe dar espaço para dizer não, e para não a magoar, magoava-a. Não tem
lógica esta frase, mas é assim mesmo. Imaginemos a cena:
Xie Zheng - Amo a Changyu.
Leitores - Boa!
Xie Zheng – Não quero que ela sofra.
Leitores – Compreendemos.
Xie Zheng – Vou abandoná-la, para ela não sofrer!
Leitores – O quê?!
No fim de dezenas de batalhas, onde a menina Fan Changyu se tornou um dos
generais mais famosos do exército, por onde podemos confirmar de que raça ela era
feita, e depois de outras tantas separações, tudo foi descoberto e resolvido. Afinal
os acusados e mortos, não tinham sido os culpados de nada, como um bom drama
que se preze e os dois apaixonados acabaram juntos, num reino finalmente em
paz, com um imperador muito jovem, mas decente e bem aconselhado.
Existem uns capítulos
extras que nos dão conta de algumas histórias do passado de algumas das
personagens, mas que na sua maioria eram dispensáveis e, não são obrigatórios de ler.
Recomendo? Sim, nem que seja para testarem a vossa capacidade de resiliência!
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