quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Montanha Mágica

 

«Tal como em A Morte em Veneza, o protagonista de A Montanha Mágica empreende uma viagem que acaba por o levar para fora do espaço e do tempo da existência burguesa. Não por acaso, contrariando planos anteriores em que o romance abria com a explanação da biografia de Hans, depois remetida para o segundo capítulo, o primeiro capítulo centra-se na viagem e no primeiro momento de confronto com o mundo fechado do sanatório, o início do longo percurso de iniciação que irá constituir o fulcro da narrativa. O herói do romance, como surge repetidamente sublinhado, nada tem de excepcional, pelo contrário, a própria mediania da personagem constitui uma forma de acentuar de que modo ela representa paradigmaticamente a normalidade social. O fulcro do romance, está, justamente, no facto de essa normalidade ser totalmente posta à prova e problematizada nos seus fundamentos pelo confronto com o microcosmo do sanatório.»

Entre tantas capas que este livro tem, escolhi esta para partilhar, porque me toca de certa forma.

"O caminhante sobre um mar de nuvens" de Caspar David Friedrich, foi uma das obras que tive de analisar na cadeira de Correntes Estéticas.

O parar do tempo, representado por alguém que pára a sua caminhada e observa o que não se pode ver. De olhos expostos nas nuvens que lhe tapam a vista do que há mais abaixo mais abaixo, percebe-se pela forma como está vestido que não é um caminhante habitual e que aquele momento foi um acaso.


As páginas que li, deste livro, parecem indicar uma situação semelhante num local e num tempo diferentes. Hasn Gastorp foi visitar o primo a um sanatário nos Alpes Suíços e o que era apenas um passeio, acabou por se tornar uma paragem em que se encontrou mais do que se esperava e, mesmo assim, não se encontrou tudo.

Este resumo, abaixo, explica porque penso assim e porque vejo semelhanças com o quadro de Friedrich.

"Às vezes apontado como um livro sem enredo, a obra trata da história de um jovem estudante de engenharia naval, alemão de Hamburgo, chamado Hans Castorp. Ele visita o primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado ao tratamento de doenças respiratórias localizado em Davos, nos Alpes suíços, pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser encaminhado ao sanatório apenas para uma visita e para tratar uma anemia, Hans Castorp vai aos poucos mostrando sinais de que tem tuberculose pulmonar e acaba estendendo sua visita ao sanatório por meses e anos, pois sua saída é sempre adiada por causa da doença.

Nesse período, Castorp, pouco a pouco, afasta-se da vida "na planície" e conquista o que chama de liberdade da vida normal. Desliga-se do tempo, da carreira e da família e é atraído pela doença, pela introspecção e pela morte. Ao mesmo tempo, amadurece e trava contato mais profundo com a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, a fragilidade humana (incluindo a morte e o suicídio), o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra) e o amor."

Desde há muito tempo que queria ler este livro, requisitei-o à Biblioteca, numa altura em que, por azar, tive pouco tempo para o ler, porque outras atividades e outras leituras eram prioritárias e tive de o devolver acabado o prazo do empréstimo, mesmo depois de o renovar uma vez. Mas ainda hei de ir requisitá-lo de novo, para finalmente o ler todo, um dia.

Neste momento, se eu tivesse um espaço na minha biblioteca chamado TBR (To be read "Para ser lido") este livro estaria lá.

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