quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

História de uma serva

 

Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo.
Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei.Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar?
Respondeu ela: Eis aqui Bila, minha serva; coabita com ela, para que dê à luz, e eu traga filhos ao meu colo, por meio dela.
Gênesis 30:2-3

Narrativas distópicas são sempre motivo de preocupação real quando nos apercebemos que apresentam um futuro, que pode, sim, acontecer brevemente. Ao longo da narrativa que nos conta sobre a vida de uma "serva", em que o presente da narrativa, em muitos dos capitulos, se intercala com um passado que não foi assim tão longinquo, vamos tomando consciencia, de uma forma assustadora, que aquele presente narrado não está muito longe de acontecer, seja em moldes semelhantes ou ligeiramente diferentes. 

Não posso deixar de partilhar uma opinião de um leitor que encontrei no site da Bertrand e que escreveu o que eu penso, mas de uma maneira brilhante.

"Margaret Atwood coloca-nos numa sociedade politica e religiosamente extremista, estruturada e devidamente estratificada, com denominação de cargos e respetiva função. A narradora é ativa, uma personagem que nos conta a sua história do ponto em que se encontra, com muitos retornos ao que era anteriormente e como ali chegou, sendo que este passado era a sociedade como a conhecemos. E é assustador perceber como políticas extremas e novas leis nos podem levar por caminhos inimagináveis, como podemos ficar condicionados e viver debaixo do medo, como pequenas e aparentemente inofensivas mudanças minam e derrubam a democracia, como tão facilmente se pode desvalorizar a vida, mesmo que em prol da vida em si. E mais assustador quando olhamos para o panorama atual e percebemos que são correntes extremistas destas que cada vez ganham mais poder e alcançam governos. Como a liberdade que se aparenta adquirida e pode ser tão mas tão frágil! Um livro profundamente reflexivo, obrigatório! Uma escrita fria, mecânica, por vezes delirante, desprovida de sentimentos... Tal como a realidade narrada."


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