Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.
Respondeu ela: Eis aqui Bila, minha serva; coabita com ela, para que dê à luz, e eu traga filhos ao meu colo, por meio dela.
Gênesis 30:2-3
"Margaret Atwood coloca-nos numa sociedade politica e religiosamente extremista, estruturada e devidamente estratificada, com denominação de cargos e respetiva função. A narradora é ativa, uma personagem que nos conta a sua história do ponto em que se encontra, com muitos retornos ao que era anteriormente e como ali chegou, sendo que este passado era a sociedade como a conhecemos. E é assustador perceber como políticas extremas e novas leis nos podem levar por caminhos inimagináveis, como podemos ficar condicionados e viver debaixo do medo, como pequenas e aparentemente inofensivas mudanças minam e derrubam a democracia, como tão facilmente se pode desvalorizar a vida, mesmo que em prol da vida em si. E mais assustador quando olhamos para o panorama atual e percebemos que são correntes extremistas destas que cada vez ganham mais poder e alcançam governos. Como a liberdade que se aparenta adquirida e pode ser tão mas tão frágil! Um livro profundamente reflexivo, obrigatório! Uma escrita fria, mecânica, por vezes delirante, desprovida de sentimentos... Tal como a realidade narrada."
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