quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Montanha Mágica

 

«Tal como em A Morte em Veneza, o protagonista de A Montanha Mágica empreende uma viagem que acaba por o levar para fora do espaço e do tempo da existência burguesa. Não por acaso, contrariando planos anteriores em que o romance abria com a explanação da biografia de Hans, depois remetida para o segundo capítulo, o primeiro capítulo centra-se na viagem e no primeiro momento de confronto com o mundo fechado do sanatório, o início do longo percurso de iniciação que irá constituir o fulcro da narrativa. O herói do romance, como surge repetidamente sublinhado, nada tem de excepcional, pelo contrário, a própria mediania da personagem constitui uma forma de acentuar de que modo ela representa paradigmaticamente a normalidade social. O fulcro do romance, está, justamente, no facto de essa normalidade ser totalmente posta à prova e problematizada nos seus fundamentos pelo confronto com o microcosmo do sanatório.»

Entre tantas capas que este livro tem, escolhi esta para partilhar, porque me toca de certa forma.

"O caminhante sobre um mar de nuvens" de Caspar David Friedrich, foi uma das obras que tive de analisar na cadeira de Correntes Estéticas.

O parar do tempo, representado por alguém que pára a sua caminhada e observa o que não se pode ver. De olhos expostos nas nuvens que lhe tapam a vista do que há mais abaixo mais abaixo, percebe-se pela forma como está vestido que não é um caminhante habitual e que aquele momento foi um acaso.


As páginas que li, deste livro, parecem indicar uma situação semelhante num local e num tempo diferentes. Hasn Gastorp foi visitar o primo a um sanatário nos Alpes Suíços e o que era apenas um passeio, acabou por se tornar uma paragem em que se encontrou mais do que se esperava e, mesmo assim, não se encontrou tudo.

Este resumo, abaixo, explica porque penso assim e porque vejo semelhanças com o quadro de Friedrich.

"Às vezes apontado como um livro sem enredo, a obra trata da história de um jovem estudante de engenharia naval, alemão de Hamburgo, chamado Hans Castorp. Ele visita o primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado ao tratamento de doenças respiratórias localizado em Davos, nos Alpes suíços, pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser encaminhado ao sanatório apenas para uma visita e para tratar uma anemia, Hans Castorp vai aos poucos mostrando sinais de que tem tuberculose pulmonar e acaba estendendo sua visita ao sanatório por meses e anos, pois sua saída é sempre adiada por causa da doença.

Nesse período, Castorp, pouco a pouco, afasta-se da vida "na planície" e conquista o que chama de liberdade da vida normal. Desliga-se do tempo, da carreira e da família e é atraído pela doença, pela introspecção e pela morte. Ao mesmo tempo, amadurece e trava contato mais profundo com a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, a fragilidade humana (incluindo a morte e o suicídio), o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra) e o amor."

Desde há muito tempo que queria ler este livro, requisitei-o à Biblioteca, numa altura em que, por azar, tive pouco tempo para o ler, porque outras atividades e outras leituras eram prioritárias e tive de o devolver acabado o prazo do empréstimo, mesmo depois de o renovar uma vez. Mas ainda hei de ir requisitá-lo de novo, para finalmente o ler todo, um dia.

Neste momento, se eu tivesse um espaço na minha biblioteca chamado TBR (To be read "Para ser lido") este livro estaria lá.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Peste

 


Na manhã de um dia 16 de abril dos anos de 1940, o doutor Bernard Rieux sai do seu consultório e tropeça num rato morto. Este é o primeiro sinal de uma epidemia de peste que em breve toma conta de toda a cidade de Orão, na Argélia. Sujeita a quarentena, esta torna-se um território irrespirável e os seus habitantes são conduzidos até estados de sofrimento, de loucura, mas também de compaixão de proporções desmedidas.
Uma história arrebatadora sobre o horror, a sobrevivência e a resiliência do ser humano, "A Peste" é uma parábola de ressonância intemporal, um romance magistralmente construído, que, publicado originalmente em 1947, consagrou em definitivo Albert Camus como um dos autores fundamentais da literatura moderna.



Por conta do livro anterior, o primeiro que li deste autor, não resisti a ler este e provavelmente mais um, pelo menos, se seguirá.

Uma narrativa que nos prende, pela história que vivemos tão real, em alguns factos semelhante, noutros diferente, há pouco mais de cinco anos (e que continuamos a viver, embora, sem lhe dar tanta importância), e que se torna muito mais interessante de ler por ter sido escrita por quem foi. Albert Camus mais uma vez nos mostra toda a perícia de quem escreve de uma forma perfeita e complexa, que não nos deixa com dúvidas nem com ideias de "poderia ter sido mais" ou "falta aqui qualquer coisa", ou ainda "tanta conversa para nada" como vemos em algumas narrativas. Não é o caso. Tudo o que é escrito e a forma como é escrito completam o que se narra, para que possamos entender melhor o profundo de cada ação e de cada personagem.

O Avesso e o Direito

 


O Avesso e o Direito foi o primeiro livro publicado por Albert Camus, em 1937, em Argel, tinha então vinte e três anos. Só em 1958, mais de vinte anos passados, Camus aceitou ver o título reeditado. E ao reler este conjunto de ensaios da sua juventude descobriu neles a raiz dos temas que alimentaria toda a sua obra. Aqui se apresenta o mundo de pobreza, de pó e de luz da sua infância, aqui se reflete sobre a solidão e a indiferença, aqui se vê despontar a descoberta do absurdo da existência. Este é pois um texto basilar para o conhecimento de um dos grandes autores da literatura moderna, que nunca perdeu, nas suas palavras, «o apetite desordenado de viver».

Um conjunto de ensaios, com poucos "era uma vez" e nenhuns "viveram felizes para sempre". Não há um começo nas suas narrativas, mas também não lhes encontramos um fim. Lemos, absorvemos cada forma de escrever e mesmo que não nos identifiquemos com tudo o que escreve, não podemos ficar indiferentes à sua maneira brilhante e profunda de escrever. E aqueles que gostam de escrever, entre os quais alguns há que até acreditam que sabem escrever, concluimos que afinal somos limitados e não sabemos escrever nada.

Nota: Estas duas publicações, bem como uma mais que se seguirá de imediato estavam atrasadas. A aquecer  como em banho maria lentas e à espera. Calhou agora.

História de uma serva

 

Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo.
Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei.Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar?
Respondeu ela: Eis aqui Bila, minha serva; coabita com ela, para que dê à luz, e eu traga filhos ao meu colo, por meio dela.
Gênesis 30:2-3

Narrativas distópicas são sempre motivo de preocupação real quando nos apercebemos que apresentam um futuro, que pode, sim, acontecer brevemente. Ao longo da narrativa que nos conta sobre a vida de uma "serva", em que o presente da narrativa, em muitos dos capitulos, se intercala com um passado que não foi assim tão longinquo, vamos tomando consciencia, de uma forma assustadora, que aquele presente narrado não está muito longe de acontecer, seja em moldes semelhantes ou ligeiramente diferentes. 

Não posso deixar de partilhar uma opinião de um leitor que encontrei no site da Bertrand e que escreveu o que eu penso, mas de uma maneira brilhante.

"Margaret Atwood coloca-nos numa sociedade politica e religiosamente extremista, estruturada e devidamente estratificada, com denominação de cargos e respetiva função. A narradora é ativa, uma personagem que nos conta a sua história do ponto em que se encontra, com muitos retornos ao que era anteriormente e como ali chegou, sendo que este passado era a sociedade como a conhecemos. E é assustador perceber como políticas extremas e novas leis nos podem levar por caminhos inimagináveis, como podemos ficar condicionados e viver debaixo do medo, como pequenas e aparentemente inofensivas mudanças minam e derrubam a democracia, como tão facilmente se pode desvalorizar a vida, mesmo que em prol da vida em si. E mais assustador quando olhamos para o panorama atual e percebemos que são correntes extremistas destas que cada vez ganham mais poder e alcançam governos. Como a liberdade que se aparenta adquirida e pode ser tão mas tão frágil! Um livro profundamente reflexivo, obrigatório! Uma escrita fria, mecânica, por vezes delirante, desprovida de sentimentos... Tal como a realidade narrada."


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Fahreinheit 451

 


Sabiam que Fahrenheit 451 é a temperatura a que arde o papel?


Guy Montag é um bombeiro. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão. Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse e é como se um sopro de vida o despertasse para o mundo. Ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo e dá-lhe a conhecer ideias expressas em livros. Quando conhece um professor que lhe fala de um futuro em que as pessoas podem pensar, Montag apercebe-se subitamente do caminho de dissensão que tem de seguir.

Mais de sessenta anos após a sua publicação, o clássico de Ray Bradbury permanece como uma das contribuições mais brilhantes para a literatura distópica e ainda surpreende pela sua audácia e visão profética.

Se não quiserem ler o livro e apreciarem spoilers podem ler aqui um resumo bastante alargado.

Se ainda assim, preferirem ler, podem e devem. É um livro curto que se lê muito bem e se aprecia, pela qualidade da narrativa e que nos faz entender porque é que os livros e o conhecimento são perigosos - elevam-nos e afastam-nos do vulgar e do curriqueiro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Uma Mulher Rebelde

 


A vida de uma mulher segundo a cultura islâmica.

Numa época em que os diferentes ideais políticos e religiosos entre Oriente e Ocidente se acentuam, chega a Portugal este fascinante relato, escrito na primeira pessoa, sobre a vida e o nascimento de uma mulher no seio de uma cultura islâmica. Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália e, até ao momento em que fugiu para a Europa, foi vítima de muitas das crueldades sofridas pelas mulheres do mundo islâmico. Nesta obra, Ali revela toda a sua história pessoal: as atrocidades do Islamismo, o fascínio pela liberdade adquirida no Ocidente e a luta pela manutenção da mesma. Um livro envolvente, repleto de relatos chocantes que permitirão ao leitor uma visão verdadeira e sentida de uma cultura tão distinta da ocidental.

Críticas de imprensa
«Este é um livro extremamente importante: apaixonante e necessário.»
Salman Rushdie, autor de Versículos Satânicos

«Uma Mulher Rebelde é um livro único, Ayaan Hirsi Ali é uma escritora única e ambos merecem ir longe.»
The Washington Post

«Precisamos desta autobiografia porque a vida de Hirsi Ali é a sua própria mensagem.»
Financial Times

Nota do autor
«A minha bússola moral estava dentro de mim, não nas páginas de um livro sagrado.»
Ayaan Hirsi Ali

Bibliografias não são o meu género de narrativa mais apreciado, mas depois de ler este livro ficquei a pensar que talvez tenha perdidos outros tão bons quanto este.

Aconselho. Ao mesmo tempo que ficamos chocados com o que Ayaan Hirsi nos conta desde a sua infância até à idade adulta, ficamos impressionados com a sua força de vontade e com a sua atitude perante tamanhas atrocidades em nome da tradição.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

De tirar o chapéu

 

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Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas e por Tua vontade elas vieram a existir e foram criadas. Apocalipse 4:11

O versículo de hoje faz parte da liturgia celestial.

O texto descreve um grupo de 24 anciãos prostrando-se diante do trono de Deus. Eles são aqueles que ressuscitaram por ocasião da morte e ressurreição de Jesus e agora vivem no Céu, aguardando os demais salvos que subirão na segunda vinda de Cristo. Antes de iniciar seu cântico, eles colocam as suas coroas diante do trono (Ap 4:10). Isso é muito significativo, considerando que estão depositando a coroa da vida que receberam de Deus (Ap 2:10; 4:4). Para João, esse gesto era ainda mais emblemático, compreendendo seu significado nos tempos de Roma.

Cícero relata que, quando Tigranes, o rei dos armênios, foi levado a Pompeu como cativo, ele se prostrou jogando sua coroa aos pés do romano, que a pegou e a colocou de volta em sua cabeça. Da mesma forma, Tácito relata que os nobres da Pártia fizeram o mesmo gesto diante da estátua de Nero. Essa atitude remete a uma expressão muito conhecida no Brasil: “isso é de tirar o chapéu”, ou seja, “isso é digno de admiração, elogio”.

Essa prática foi trazida pelos franceses, que tinham o costume, posteriormente transformado em lei por Luís XIV, de usar chapéu como sinal de respeito.

Assim, em ambientes externos, os homens deveriam estar sempre de chapéu e apenas o retiravam em ocasiões especiais, fazendo gestos suaves que denotavam reverência. Em cerimônias públicas, o chapéu era levemente erguido e a cabeça inclinada ligeiramente. Porém, em momentos de grande euforia, era comum tirar completamente o chapéu e jogá-lo para o alto, pois aquela situação era realmente “de tirar o chapéu”! Seria a cena celestial uma forma de dizer que Cristo é “de tirar a coroa”, ou melhor, “de tirar o chapéu”? Não, por um detalhe. Falta a essa expressão algo sem o qual a reverência não ficará completa: o gesto implica submissão. De nada adianta admirar Jesus e não se submeter a Ele.

É como tentar voar em um avião sem uma asa. Não funciona. 

Junto com nossa coroa, é importante também lançar nosso coração aos pés de Cristo. Você está disposto a se submeter a Cristo hoje?

Devocional paraAdultosdo diaQuarta-feira,  24 de Setembro de 2025 
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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Sedução de Laodiceia

 

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Ao anjo da igreja em Laodiceia escreva: “Estas coisas diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.” Apocalipse 3:14
Você sabia que Laodiceia foi uma cidade seduzida? Quando Antíoco a tomou para si, a cidade antes chamada de Dióspole e Roa passou a se chamar Laodiceia em homenagem a Laodice, esposa do conquistador. Nenhum povo gosta de um invasor estrangeiro.

Por isso, Antíoco enfrentou oposição no início.

Mas logo o ambiente hostil começou a mudar à medida que a cidade prosperava sob seu governo. Para fazer jus ao nome da rainha, a nova Laodiceia tinha de ser uma metrópole de infraestrutura exemplar, com arquitetura refinada. Isso impressionou os moradores acostumados à simplicidade. Estrabão, historiador grego do 1º século, afirma que a cidade não tinha importância alguma antes de Antíoco. No entanto, com a administração selêucida, as coisas mudaram, e Laodiceia se tornou uma das cidades mais famosas da Anatólia.

A partir de então, o antigo inimigo passou de tirano a benfeitor. Suas melhorias seduziram o povo, que começou a desfrutar de tranquilidade, admiração e orgulho de sua nova condição. O progresso, nesse caso, teria custado ao povo o desapego às suas antigas tradições. Os principais edifícios de culto foram extintos, e novos templos com novos deuses foram inaugurados. Com esse contexto, faz sentido entender Laodiceia como um símbolo dos erros do cristianismo no fim dos tempos. Sendo um termo grego, Laodiceia deriva de duas palavras: laos e dikaios, que significam respectivamente “povo” e “juízo”. Estamos acostumados a ouvir que o sentido mais próprio do termo seria “julgamento do povo”, o que está correto.

Contudo, há outra possibilidade etimológica que acentua mais um lado da questão. Laodiceia também pode ser traduzida como “o povo que julga”. 
Isso significa que o ser humano, tomando as rédeas da ética, supõe exercer o papel de definidor do bem e do mal no lugar de Deus.

É o que acontece quando a vontade do povo suplanta o “assim diz o Senhor”. De fato, Laodiceia representa o último período da história do povo de Deus antes da volta de Jesus. Mas isso não deve ser desculpa para distorções morais.

Estar no período de Laodiceia não nos obriga a permanecer na condição de Laodiceia.












segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Quem se importa com Deus?

 

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Diz o insensato no seu coração: “Não há Deus.” Corrompem-se e praticam iniquidade; já não há quem faça o bem. Salmo 53:1

O “insensato” mencionado no versículo de hoje não se refere a um indivíduo específico, mas, sim, a uma classe de pessoas. A palavra hebraica nâbâl, usada para descrever o “sem noção”, não denota aquele que é inculto por falta de recursos, mas aquele que persiste na ignorância mesmo diante da oportunidade de conhecer a Deus.

É a teimosia no erro que o leva à perversão, opondo-se à sabedoria. Por isso, o texto nos convida a refletir: A quem importa a existência de Deus? Essa pergunta é a essência da vida. Se Deus não existir, não há razão para nos interessarmos por Ele.

No entanto, se Deus existir, nossa relação com Ele se torna o aspecto mais crucial. Muitos podem considerar o assunto irrelevante. Entretanto, quem pensa assim ainda não entendeu o problema. Afinal, até filósofos céticos, como Sartre e Camus, admitiram que a existência de Deus é importante para a humanidade, pois, se o ateísmo estiver certo, não há nenhum propósito na vida, a não ser o acidente de existir por um momento.

Fernando Pessoa, que também era ateu, definiu o ser humano como um “cadáver adiado que procria”, e Nietzsche, que anunciou a “morte de Deus”, reconheceu a orfandade que viria disso. Sem Deus, dizia ele, “vagueamos por um nada infinito, sem nada acima nem abaixo. É preciso acender lanternas de manhã e inventar jogos que assumam o lugar da cerimônia religiosa” (A Gaia Ciência, p. 181). Coincidência ou ironia, o próprio Nietzsche passou os últimos anos de vida nas trevas da insanidade, amparado por sua mãe piedosa, que orava por ele. Percebe como até mesmo intelectuais que não têm fé reconhecem que é complicado viver sem Deus? Sem Ele, a vida se torna absurda, carente de sentido, valor ou propósito definidos. É como um trecho de Macbeth, em que Shakespeare retrata a história humana como uma sombra que anda, e nós como atores simplórios, iludidos em nosso instante de glória, para descobrir depois que tudo não passa de um conto narrado por um tolo, cheio de fúria, sem significado algum. E para você? Como a existência de Deus afeta sua vida?

Devocional paraAdultosdo diaSegunda-feira,  01 de Setembro de 2025 

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Perseverança

 

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É pela perseverança que vocês ganharão a sua alma. Lucas 21:19

O versículo de hoje usa uma expressão idiomática: “ganhar a alma”. Ela é análoga ao que vemos em Mateus 24:13 e Marcos 13:13, em que se afirma que “aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”. A expressão contrária seria aquela referente ao indivíduo que ganha o mundo inteiro e “perde a própria alma” (Mc 8:36).

“Ganhar a alma”, portanto, significa ser salvo.

Mas observe que isso só acontece mediante perseverança, interesse e dedicação. Perseverança implica algo que gera desconforto. Ela envolve esforço pessoal, persistência e luta contra a própria vontade, e nada disso é fácil de executar na prática. Contudo, temos a graça de Cristo que nos fortalece. Deus capacita aqueles que, por si mesmos, jamais conseguiriam a vitória. Essa graça não transforma o indivíduo em um perseverante automático.

Ela é mais como o combustível, que permite a partida do automóvel, mas cuja direção depende de quem está ao volante. Ou seja, compete a nós tomar as rédeas de nossa vida, tendo Deus como nosso sustento. E se falharmos no meio do processo? 1 João 2:1 oferece a resposta: “Se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” Lembro-me de alguns versos atribuídos ao educador inglês W. E. Hickson que resumem com maestria a trajetória cristã: Mesmo que seja necessário tentar mil vezes, vamos, pela graça de Cristo, tentar novamente? Confie nisso, e você perceberá que valerá a pena. É uma lição para aprender, Tente, tente outra vez. Se a princípio não conquistar, Tente, tente outra vez. Para que a coragem possa vir, Pois se você perseverar, Vai conquistar, vai reagir, Então, tente outra vez.

A maneira de tentar, quando tudo mais falhar, É tentar outra vez.

Devocional paraAdultosdo diaDomingo,  31 de Agosto de 2025 

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terça-feira, 12 de agosto de 2025

Por que chorar?

 

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Jesus chorou. João 11:35

O texto bíblico de hoje é o menor versículo do Novo Testamento.

Mas, apesar de seu tamanho, ele apresenta uma das mais significativas revelações acerca de Cristo. O Filho de Deus participou totalmente do sofrimento humano; Sua dor nunca foi teatral. Ele sentiu na pele a angústia que nós sentimos, especialmente a angústia da morte. Por isso, Deus entende quando choramos, pois as lágrimas escorrendo pelo rosto são um inconfundível pedido de ajuda. Junto delas podem vir gritos, soluços, suspiros ou o queixo trêmulo, com os cantos da boca virados para baixo. Esses fenômenos ocorrem porque nossa respiração e o batimento cardíaco mudam radicalmente quando estamos chorando, e isso não é uma peculiaridade humana; ocorre também com os animais.

Embora alguns biólogos insistam em dizer que o choro é uma atividade exclusivamente humana, vários cientistas têm afirmado que os animais também choram, como é o caso dos cavalos e dos bois. Crocodilos que vivem no mar também choram, mas não por estarem tristes; esse é o meio de limpar o excesso de sal que fica em seus olhos.

Daí a expressão “lágrimas de crocodilo”, ou seja, chorar sem nenhuma emoção. Ainda não se sabe exatamente como funciona o mecanismo que provoca o choro.

Porém, pesquisas indicam que as lágrimas ajudam a eliminar substâncias produzidas durante o estresse. Quando os canais lacrimais não conseguem lidar com essas substâncias, o que é recolhido escorre pelas narinas e pelo suor do rosto.

Por isso, sentimos alívio depois que choramos.

Essas substâncias eliminadas poderiam, a longo prazo, causar danos ao organismo. Portanto, quem segura o choro deveria deixar de lado o orgulho e permitir que as lágrimas banhem seu rosto. Dizem que uma pessoa regular chora, em média, 250 mil vezes durante sua vida. É muito choro, não é mesmo? Mas não se preocupe: esse rio de sofrimento vai acabar. Há momentos em que uma única lágrima substitui dezenas de frases.

Quando lhe faltarem palavras para expressar sua dor, chore aos pés de Cristo. Ele também chorou, e não há vergonha nisso. Jesus entende o que é sofrer, ser rejeitado, incompreendido e odiado. Ele confortará você. Um dia, derramaremos a última lágrima, e certamente será de emoção por estarmos com Deus. Com alegria, nos despediremos da tristeza.

Devocional paraAdultosdo diaTerça-feira,  12 de Agosto de 2025 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O Grande Conflito

 

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Ele, porém, lhes respondeu: “Um inimigo fez isso.” Mateus 13:28

Ao longo da história, filósofos e cientistas têm indicado evidências fantásticas de um planejamento inteligente no Universo. No século 18, o filósofo William Paley usou a analogia do relojoeiro. Ao comparar uma pedra a um relógio, ele concluiu que “o relógio requer um projetista que, em algum tempo e em algum lugar, deve ter existido.

Um artífice, ou artífices, que o fez com o propósito para o qual descobrimos que ele realmente responde” (link.cpb.com.br/887fa9). Simplificando, Paley argumentou que, da mesma forma que um relógio indica a existência de um relojoeiro que o fez, o mundo indica a existência de um Deus que o projetou. Essa ideia agradou aos religiosos e popularizou a Teologia Natural, que tenta provar a existência de Deus por meio de argumentos puramente racionais, vindos da observação da natureza. O problema com essa abordagem, frequentemente utilizada por defensores do design inteligente, é que ela se abstém de recorrer a qualquer revelação especial ou sobrenatural, como as Escrituras Sagradas. Isso gera limitações e vulnerabilidades em sua proposta. Assim, embora Paley professasse fé na Bíblia, suas ideias foram usadas por pensadores deístas que diziam que Deus existe, mas abandonou o mundo à própria sorte.

Eles utilizaram a mesma analogia para argumentar que Deus criou o mundo, deu corda e foi embora. Um pouco antes de Paley, o cético David Hume contestou as noções de design, lembrando que essa mesma natureza aparentemente “planejada” está repleta de monstruosidades e defeitos congênitos.

Esse argumento ressurgiu no século 20 com a publicação do livro O Relojoeiro Cego, escrito por Richard Dawkins, que ironicamente contra-argumentou que, se há um Relojoeiro-Criador, Ele é muito ruim de serviço. É por isso que, mesmo revelando a existência de Deus, o discurso da natureza será incompleto. Precisamos conhecer a revelação bíblica e sua história do grande conflito. Na parábola do joio, a expressão “um inimigo fez isso” resume a controvérsia cósmica, que explica muitas coisas. Estude esse assunto e veja o quadro completo. Acredite, o relojoeiro não é cego. O relógio é que não está exatamente como Ele planejou.
Devocional paraAdultosdo diaQuinta-feira,  24 de Julho de 2025 


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terça-feira, 22 de julho de 2025

O Segredo dos Pombos

 


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Depois, Noé soltou uma pomba para ver se as águas já tinham diminuído na superfície da terra. Gênesis 8:8

Na noite de 8 de abril de 1941, um bombardeiro da Força Aérea Real britânica decolou de Newmarket, a base responsável por enviar agentes da inteligência ao território inimigo. Com informações ultrassecretas, os militares foram lançados de paraquedas na fronteira franco-belga. O curioso é que os espiões altamente treinados eram pombos-correios, que iniciaram uma operação secreta de três anos e meio que favoreceu a vitória dos aliados contra os nazistas. As aves eram colocadas em contêineres e lançadas de paraquedas no solo europeu, levando consigo informações secretas, questionários e até requisições militares.

Os batalhões em solo recolhiam os contêineres, amarravam novas mensagens ao corpo das aves e as soltavam de volta. Os pombos então sobrevoavam as bases inimigas até chegarem ao Reino Unido. O objetivo era coletar informações de pessoas que viviam sob a ocupação nazista. De fato, os pombos foram verdadeiros heróis de guerra.

Mas qual foi o segredo? Não falo da mensagem que levavam, mas o fato de voltarem para casa. É que eles possuíam um GPS instintivo apontando para o lugar de onde tinham saído. Um pombo desses pode ser solto a milhares de quilômetros de sua origem e, ainda assim, volta para casa. Pode receber comida e ser bem tratado, mas ele sabe que ali não é seu lar.

Por isso, ele retorna. Também somos assim.

Por melhor que seja nossa vida, temos uma intuição de que este mundo de problemas não é nosso lar. Independentemente de crenças, valores ou questionamentos, todos temos, à semelhança dos pombos, um desconforto, até que cheguemos à nossa verdadeira morada. Segundo a Bíblia, nós nascemos para a eternidade. É curioso observar que dos 16.554 pombos soltos pelos soldados, 100% procuraram o rumo de casa. No entanto, muitos “pombos-humanos” preferem continuar no campo de batalha. Eles se esqueceram do paraíso e não fazem esforço para regressar. O instinto das aves parece ser mais sábio do que o raciocínio de alguns humanos. Isso seria até engraçado, se não fosse tão trágico.

Devocional paraAdultosdo diaQuarta-feira,  23 de Julho de 2025 



O Vendedor de Sonhos, o chamado

 

Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. De seguida, espalha a mensagem que a sociedade moderna se tornou num manicómio global. O seu discurso fresco e irreverente conquista as pessoas, habituadas a frases feitas e ao «politicamente correcto», ao mesmo tempo que as assusta. O que pensar de um estranho com ar de pedinte que fala da importância de vender sonhos ao ser humano? Uma ideia maravilhosa, mas invulgar… Numa época em que nos habituamos ao ritmo e às exigências desmesuradas de um relógio que não pára, libertarmo-nos das grilhetas da rotina e recuperarmos a consciência do que é, de facto, importante nesta vida pode ser assustador. Mas é fundamental!

Ao longo deste romance poderá seguir os passos de um Vendedor de Sonhos, uma personagem fascinante que nos deixa na dúvida se se trata de um sábio ou do mais louco dos seres?! Uma história que o fará chorar, rir, e, certamente, mudar a sua vida.


"A obra conta a vida de um homem que aproveita o anonimato para esconder sua identidade. Ao ser questionado sobre sua origem, ele apenas se apresenta como O Vendedor de Sonhos e explica que sua missão é vender sonhos para pessoas desoladas e angustiadas com a situação em que se encontram. 

No grupo de discípulos existem pessoas que jamais seriam protagonistas ou heróis em um romance. O humorístico e sarcástico Bartolomeu era um alcóolatra; Salomão sofria com uma doença psicótica compulsiva; Mônica era uma modelo que sofria de Bulimia pelas exigências do mundo da moda; Dimas, conhecido por Mão de Anjo, era um ladrão de primeira categoria. Todos eles foram tocados com os ensinamentos de vida do Vendedor de Sonhos. No meio de todas essas pessoas problemáticos que andavam ao seu redor, está o professor universitário, Júlio César LamBert, muito conhecido pela forma dura e autoritária com que tratava os alunos e também os colegas da instituição na qual trabalhava. Ele estava sempre em busca da perfeição. Não aceitava nenhum resultado menor que ótimo. Mas, cobrava essa mesma postura de todos, inclusive dos próprios alunos e da família para quem nunca tinha tempo.  Algum tempo depois, começou a sofrer as consequências dessa vida frenética que levava e acabou desenvolvendo um grave quadro de depressão. E em um dos piores momentos da doença, estava no alto do edifício San Pablo, prestes a cometer uma loucura e pular lá de cima. E foi nesse momento que conheceu o homem que mudaria sua vida".

Durante a caminhada, com O Vendedor de Sonhos, vamos percebendo semelhanças com a caminhada de Jesus durante o Seu ministério de três anos e meio. Jesus chamou discipulos para O seguirem e aceitou outros que O começaram a seguir. Não tinha nada do que os homens desejavam materialmente e afinal era tudo o que os homens precisavam. Tal como nas horas finais da vida de Jesus em que houve quem O traisse e quem O negasse, neste livro isso também acontece. mesmo que inconscientemente por parte dos seguidores do Vendedor de Sonhos. E depois dessas experiências dramáticas houve vidas que foram mudadas e isso sucede também nesta narrativa. Se conhecemos a vida de Jesus narrada nos Evangelhos dificilmente não encontraremos essas semelhanças.

Friso no entanto, para os que não querem ler sobre o assunto, que este não é um livro sobre religião, mas pode ser um livro sobre fé. Fé no homem, fé no futuro, fé nos sonhos que não nos atrevemos a sonhar, até que nos ensinem a fazê-lo.

"Posso afirmar que “O vendedor de sonhos” é surpreendente. E, com certeza, a vida muda após essa leitura. Talvez não uma mudança imediata nas atitudes, mas uma mexida nas nossas inquietações interiores".


"Considerado por muitos um dos melhores livros do autor, foi editado várias vezes. Também foi traduzido em várias línguas e lido por milhões de pessoas em todo mundo. Augusto Cury utilizou seus conhecimentos psicológicos e sociológicos sobre o comportamento humano e seus conflitos psíquicos. Mesmo após tantos anos do lançamento da primeira edição, a procura pelo livro ainda é muito grande. Todos querem ler para conhecer um pouco sobre a forma de pensar de Cury ou ainda para encontrar conforto e esperança em suas palavras".

“Não desista dos seus sonhos.”

segunda-feira, 14 de julho de 2025

O Juízo de Deus

 

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Temam a Deus e deem glória a Ele, pois é chegada a hora em que Ele vai julgar. Apocalipse 14:7

Um levantamento realizado pelo Pew Research Center detectou que a crença no juízo final está se tornando cada vez mais impopular e desacreditada. Entre as pessoas que creem em Deus, 70% dos que têm mais de 50 anos concordam que “todos enfrentarão o tribunal divino”. Porém, esse número cai para 56% na faixa etária dos 30 aos 40 anos, e 49% para aqueles com menos de 30 anos.

Apesar de ser um tema impopular, ele é bíblico e faz parte das três últimas advertências divinas que devem ser dadas ao mundo (Ap 14:6-12).

O desconforto em relação a esse dia é proporcional à forma como encaramos nosso futuro encontro com Deus. É interessante observar que nem todos demonstram medo; alguns demonstram desprezo por esse dia. Enquanto algumas pessoas temem por saber que estão em falta, outras desdenham da punição divina.

A Bíblia reconhece esses sentimentos na forma particular como as pessoas se dirigirão a Deus naquele dia. Enquanto alguns suplicarão a morte por não suportar a ira de Deus (Ap 6:16), outros arrogantemente questionarão por que não estão entre os redimidos (Mt 7:22, 23). Jesus várias vezes referiu a Si mesmo como o “Filho do Homem” e usou esse título para falar do juízo: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mt 16:27). Em Daniel 7:10, 13 e 14, o Messias chega ao tribunal de Deus, onde os livros do juízo estão abertos. Ele recebe autoridade para reinar e julgar a humanidade. Várias passagens do Novo Testamento também falam Dele como juiz (Jo 5:27; At 17:31; 2Co 5:10). Contudo, enquanto esteve na Terra, Jesus tratou o juízo como um evento futuro. Sua missão inicial era revelar a misericórdia de Deus. Como sacerdote e juiz, Jesus tinha a capacidade de perdoar ou condenar, mas usou Seu poder, em um primeiro momento, para perdoar. Essa é a força de um Deus que ama: Ele salva, quando poderia destruir.

Essa também é a certeza de que não devemos temer o juízo, muito menos desprezar o que ele significa.

Devocional paraAdultosdo diaTerça-feira,  15 de Julho de 2025 


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