quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Restauro de livro #3

Provavelmente não irei restaurar mais nenhum livro, num curto espaço de tempo, mas para já tinha que publicar o último.
Estava assim e sem capa


E deveria ter ficado assim

Mas como tudo o que é manual e feito por leigos, às vezes dá barraca.
Embora esteja quase assim, não vai ser o final e passo a explicar.
Este livro foi ter lá a casa, por oferta, na mesma altura em que foi o meu cão mai'novo, para lá viver.
Que atualmente é o maior. 
E ele achou que estando à "mão de semear" o livro era para roer e eventualmente comer alguma parte.
A capa ficou sem qualquer remédio e foi para o lixo e as folhas guardaram-se.
Andei a estudar a possibilidade de conseguir uma cópia da capa, ou na pior das hipóteses sacar uma imagem da net e improvisar.
Passaram-se quatro anos e finalmente decidi retomar o assunto.
Por gentileza da Publicadora, consegui cópia da capa e mandei imprimir.
Testei com acetato se estava bem, já que dimensões para impressão e corte originais não me dizem nada e cortei o cartão para a capa e colei.


E tudo corria bem. A cópia tinha sido impressa em papel com brilho de certa espessura o que me deixou aliviada, porque de outra forma, teria que imprimir em papel normal e forrar a película transparente para revestir e dar brilho.
Foi alivio de pouca dura, porque depois de colada e colocada no feitio adequado, estalou.




Tinha duas opções: imprimir nova ou revestir com a película. 
Convém saber que nunca me dei bem com películas adesivas. Não somos compatíveis e sempre que forrava livros escolares, havia aquelas bolhas de ar e aqueles vincos que teimavam em não sair.
Se tivesse forrado antes de ter a capa montada no cartão, a coisa talvez tivesse corrido melhor, nesta altura já não correu bem e ficou assim
 Com bolhas e vincos horríveis que não vão sair de forma nenhuma.


Pus a capa de lado quase em desespero e dediquei-me ao miolo.


Com fita adesiva de reparação, restaurei as folhas rasgadas o melhor que consegui e colei cerca de dez folhas, uma a uma, de volta na lombada do livro. 
Inclui o papel de guarda e "montei" na capa para ver o que seria o resultado final, tão pretendido.


Um dia destes, quando o desconsolo me tiver passado, vou mandar imprimir nova capa.
Com outro tipo de impressão, ou com outro tipo de papel e refazer a capa, mas para já ficam com uma ideia de como o livro estava e como deveria ter ficado.








terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Caderno personalizado


Quando uma pessoa compra um caderno por EUR 1,25 na loja dos chineses e decide que afinal quer ser fina e ter um caderno personalizado.

Precisava de um caderno pequeno, maleável, prático para escrever à vontade e não ter pena de tirar folhas se a coisa corresse mal.
Comprei o mais básico que há e dos mais baratos, pelo motivo que expliquei acima, de argolas, porque era importante poder "dobrar" para ser prático e ocupar pouco espaço no colo.

Mas depois, com ele na mão...

Toca a desmontar o caderno, a forrar a capa básica com um papel a gosto e voltar a montar tudo.







Mini manta

Descobri alguns novelos de lã numa caixa à espera de utilização.
O motivo por que os tinha comprado já tinha evaporado da minha ideia e precisei do espaço que eles ocupavam.
Decidi fazer uma manta, desse o que desse para os gastar,
Claro que quem se mete a gastar lãs, acaba sempre por ter que comprar mais para sair alguma coisa e depois já não consegue combinar nada, no que respeita a cores.

Usei um ponto que aprendi há uns anos e que gosto muito, pois é fácil, rápido e rende trabalho. Óptimo para o serão enquanto se vê televisão.




À falta de tamanho para outra coisa, fica para a cama do cão mais piqueno!



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Restauro de livro #2

Já temos o segundo paciente.

Estava assim

Ficou assim

Quando a abri para estudar o assunto, a capa caiu-me nas mãos (ou melhor, sobre a mesa).

A contracapa estava colada ao extremo da lombada e teve que ser separada. Enquanto o fazia pensei por um momento que quando os livros me são entregues a desmontarem-se, tubo bem, e espero que ninguém, se lembre um dia, de me entregar um livro intacto apenas para mudar a cara da capa.


A tal fita de cabeceado, estava intacta e ainda pensei duas vezes em a manter ou tirar. Acabei por tirar porque não ia combinar com nada do que tinha em mente.
Endireitei uma folha que estava dobrada, colei duas que já vinham soltas e uma que se soltou quando tirei a contracapa e ficou assim, depois de tudo pronto.
Não gravei título, porque o tipo de gravação a que eu tenho acesso, apenas se perceberia neste padrão em cores que não me interessavam usar. Como tal, ficou assim mesmo. A capa original também não tinha título gravado.
Acho que a foto não está muito nítida, mas só para que saibam, usei fita em rosa forte para as extremidades da lombada e fita em rosa claro para os marcadores, para combinarem com as flores do padrão.

Algo aprendi com o primeiro trabalho e usei cartolina para o papel de guarda.
Mais resistente, mais seguro e não enruga com a colagem.


Gosto de fotografar aberta e já agora desafio-vos a ler, só pela curiosidade de tentarem descobrir em que língua está escrita. 


Quem descobrir e souber traduzir as duas primeiras linhas da segunda imagem vai ter direito a um prémio.










quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Restauro de livro - capa de Bíblia

Dei inicio ao meu novo projeto: restauro de livros, ou melhor dito, de capas, porque a parte de restauração das folhas ainda está em estudo.

O meu primeiro paciente era assim:


E ficou assim:


Esta bíblia já tinha ido para a sua dona atual em segunda mão e suponho que já em avançado "estado de decomposição". Com o uso, tendeu a piorar.

Preparei as ferramentas que achei necessárias, das quais usei apenas umas sete: tesoura, x-acto, régua, fita crepe, espátula, pincel e rolo. Isto com a habituação vai sendo melhor controlado e não vou precisar de ter este "estenderete" aqui. 
Obs.: Não sei se o termo "estenderete" é alguma coisa, ou está devidamente utilizado, mas ouvia-o muitas vezes na minha infância quando espalhava a minha tralha pela casa e a minha avó dizia: "vê se arrumas esse estenderete!"

Comecei por desmontar a bíblia e separar as partes danificadas. O miolo separou-se da capa, mal a abri, tendo ficando duas ou três folhas presas.


Recuperei as páginas que se soltaram do miolo, o melhor que consegui, endireitando as margens tortas e rasgadas, aproveitando a margem de colagem para colar as que dava para isso e fotocopiei uma das páginas que não se conseguia recuperar por estar coladas na capa, no papel de guarda, pois calculei que interessasse à dona manter o que lá estava escrito.


Depois de coladas ficaram em descanso. Não há como um bom livro para melhorar outro.
Neste espaço de tempo preparei a capa, colando o tecido de revestimento ao cartão e reforcei a lombada interior com papel. Ficou em repouso, debaixo de um livro, até o dia seguinte.


Antes de unir folhas e capa, coloquei marcadores de fita e fita de "cabeceado" (para quem não sabe é aquela fitinha que está em cada extremidade da lombada, para dar um acabamento mais simpático).
Montei as folhas e a capa, unindo-as com o papel de guarda.





Notas pós trabalho:
1 - No futuro não é preciso tanto material exposto;
2 - O papel de guarda deverá passar a ser mais espesso - pelo menos 120g, convém não esquecer que é esse papel que une as folhas à capa;
3 - Nunca levar a peça de revestimento, já cortada na medida da capa a forrar, para gravar. Levei o tecido com a marca onde queria a gravação do título, não ligaram nenhuma à minha marca, centraram como entenderam e a legenda ficou desviada do centro quando montei no cartão e não tinha excesso para acertar, daí que tive de inventar e aplicar um enfeite, neste caso a borboleta, para disfarçar o não centrado do título.
4 - Se encontrarem no texto termos esquisitos, queiram dar-me desconto, porque a maior parte das indicações, tirei-as de sites brasileiros.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Ferramentas para cartonagem

Embora passe a vida a queixar-me de falta de tempo, gosto de fazer trabalhos manuais e sempre que posso, procuro qualquer coisa de novo para fazer: seja com lãs, tecidos ou papel.

Como pessoa que além disto tudo, gosta de ler, é natural que tudo o que diga respeito a livros, me interesse.

Gosto de capas de tecido para livros, embora não use, mas gosto mais ainda da ideia de encadernar livros a sério - eu sei que cartonagem não é só para livros, mas é por causa de livros que esta publicação saiu hoje.

De vez em quando, mais decentemente ou mais à balda, lá ando eu a fazer uns blocos, a alindar cadernos e agora, acho que chegou a altura de me dedicar a reformar capas de livros (em publicação mais tarde, tratarei do assunto a fundo).

Para tal, andei a ver quais os materiais para cartonagem (além de vários tipos de cartão, papel, tecido e cola) e consegui uma lista jeitosa:

Régua de metal
X-acto de aço com lâmina larga (opcional mas mais eficaz) ou cortador rotativo.
Esquadro
Tesoura (o ideal é ter uma para tecido e uma para papel)
Rolo de espuma e/ou pincel para espalhar a cola
Fita crepe
Espátula de plástico (para alisar o papel ou tecido que pode ser substituída por um cartão tipo crédito velho)
Placa de corte
Cantoneira fio de cabelo
Réguas para cartonagem (em plástico ou cartão pequenas, estreitas que servirão para marcar espaços entre placas de cartão por exemplo).




Algumas hipóteses só para cortar o aborrecido de tanta conversa.

Acredito que o conjunto de materiais também vai depender do que se pretende fazer e do maior ou menor profissionalismo (jeitinho) que a pessoa tenha.

Mais ou menos nomes meus conhecidos à exceção da cantoneira fio de cabelo - o fio de cabelo é que me baralhou porque cantoneira eu sei o que é.


É nada mais que um triângulo reto sem vértice que vai servir para marcação do corte no tecido ou papel usado para forrar, de forma a criar uma dobra de canto perfeita.

Não tenho ideia de alguma vez ter visto alguma, mas também, verdade seja dita nunca andei à procura de ferramentas para cartonagem. De qualquer forma, aceitando ideias que me apresentaram pela internet fora, resolvi fazer uma. Seguem abaixo alguns dos passos.


Agora falta lixar as extremidades e alindar. Talvez forre com tecido ou apenas papel autocolante e já está. Ferramenta pronta e agora é por as mãos à obra.



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Toalha de mesa com acrescento #2

Há quase dois anos atrás (foi em Abril de 2017) partilhei uma publicação, onde dizia que ia aproveitar uns tecidos que tinham sido comprados para outros fins e não utilizados, para fazer toalhas para a mesa da cozinha.
Gosto de individuais e de caminhos de mesa, mas gosto muito de toalhas e como tal....

Como a peça de tecido não chegava para tapar a mesa e pender um pouco em todos os lados - no comprimento foi pior -  conforme podem ver nas fotos que volto a partilhar - andava na dúvida com o que utilizar para a acrescentar.



Depois de algum estudo, decidi e comecei a tratar disso, mas foi mais ou menos pela altura em que a minha máquina de costura resolveu avariar *
Alinhavei a barra eleita e fiquei à espera.
Este fim de semana decidi que ia não só testar a máquina, mas acabar a toalha.

Optei por uma barra às pintinhas em cinza claro e gostei mais do resultado final do que idealizei antes. Quando me lembrar tiro foto de "corpo inteiro" e edito a publicação, mas quis partilhar este trabalho só para não acharem que estou a fazer nada.




*  Afinal era só uma peça desafinada, mas levou o seu tempo e só foi arranjada o mês passado, quando descobri que o meu vizinho de há vinte anos sabe arranjar máquinas de costura.